A Fototipia
Com a fototipia ganhou-se em economia de tempo, mas perdeu-se em qualidade. As mudanças sutis nas proporções das letras de um tamanho para outro não eram percebidas, suas fontes não se preocupavam com ligaturas, algarismo de texto ou versaletes. As fontes americanas não integravam os mais simples caracteres acentuados. A escolha de fontes era limitada. E com a simplificação oferecida por esse processo de impressão vê-se o fim do antigo sistema de ofício dos aprendizes e das guildas.
Nessa fase muitos tipos novos foram desenhados e também boa parte dos tipos antigos foi reproduzida e redesenhada. Mas a fototipia teve vida curta e foi rapidamente substituída por mais uma revolução no processo de impressão e desenho de tipos: a composição digital.
A Tipografia Digital
A
revolução digital veio para facilitar ainda mais o processo de desenho de tipos e trouxe inovações na forma da tipografia assim como na maneira de aplicá-la, idéias estas que iam contra com as premissas da tipografia clássica. A facilidade de acesso a essa ferramenta também fez com que a qualidade dos desenhos caísse, devido ao fato de não serem mais mestres no ofício do desenho de letras que operassem esse departamento, mas qualquer um que se interessasse e tivesse acesso à ferramenta poderia agora se aventurar e lançar uma fonte digital no mercado.
Diminui-se então a preocupação com a legibilidade em função de um apelo formal e comunicacional na sintaxe tipográfica, tendo como maior marca desta fase as experimentações e a quebra com as regras clássicas e funcionalistas do design e a vontade de renovar essa linguagem tão pasteurizada pela fase modernista.
Com a ferramenta do Mac, que se tornou acessível aos designers na década de 80, foi posto a prova um novo mundo de possibilidades. Agora era mais simples e rápida ações como as distorções de letra, a formatação de kerning e entre linhas, as sobreposições, os estudos em três dimensões e os visuais com profundidade. A revolução digital acabou favorecendo esta nova estética reconhecida como a tipografia pós-moderna.
PostScript
Como vimos até então, a evolução tecnológica da ferramenta e do suporte vem afetando diretamente a forma das letras ao longo da história da tipografia.
Com a revolução digital tivemos, a partir da década de 70, a novidade das
fontes bitmap, que tinham a marca do processo digital de criação por meio de adição e subtração de pixels traduzidas em sua forma. Muitas vezes os designers provocavam uma ênfase formal a fim de expressar o comportamento da ferramenta, como um espelho do período que atravessavam.
Em 1982 uma revolução veio com o formato
PostScript, evolução tecnológica que permitiu a construção de letras a partir de seu contorno, em forma de vetor, chamada linha de contorno escaláveis (scalable outlines). Problemas quanto à resolução foram resolvidos e a maneira de construção da letra no digital foi alterada, sendo agora uma construção de contorno, e não mais por pixels e módulos, a criação de curvas também foi favorecida com a possibilidade de utilização do Bézier.

A construção da fonte bitmap se dava através de um sistema modular de adição e subtração de pixels, o que influenciou diretamente na forma da letra.
No quadro ao lado as diferenças entre as curvas PostScript (esquerda) e TrueType (direita). A primeira em curvas cúbicas e a segunda em curvas quadráticas, o que na prática reduziu o número de pontos.
Exemplo de
tipografia bitmap, muito presente nos cartazes de
April Greiman, como neste feito para o
Southern California Institute of Architecture.
referência bibliográfica: CARTER, Rob. Working with computer type: books, magazines, newsletters. East Sussex: RotoVision, 1995.
BRINGHURST, Robert. Elementos do Estilo Tipográfico (versão 3.0). São Paulo: Cosac Naify, 2005.
Gravura e Impressão
Com o avanço tecnológico durante os séculos XV e XVI a caligrafia vai sendo substituída e a influência nas formas começa a ser ditada pela técnica de impressão de Gutemberg.
No esquema a seguir podemos notar as diferenças quanto à forma segundo o instrumento utilizado na impressão.

No primeiro exemplo temos a impressão tipográfica em relevo. Algumas limitações de forma existiam devido ao fato destas serem fundidas em aço.
“Desse período (...) herdamos as escritas elzevirianas, robustas e claramente desenhadas, que se tornaram um modelo para escritas mais usadas atualmente.” (Frutiger, 1997, p.138)

No século XVIII a calcografia, também conhecida como talho-doce, favoreceu um novo estilo da escrita. A técnica de se entalhar os caracteres no metal determinou mudanças significativas no desenho da forma. Com essa nova possibilidade, os artesãos puderam desenhar hastes e serifas muito finas, criando contrastes de traço notáveis. Os tipos Bodoni, Didot, Waldbaum seguem essa linha e foram favorecidos também por avanços quanto à qualidade do papel e da tinta utilizados na impressão dos caracteres.

Uma terceira técnica de impressão revoluciona ainda mais as questões formais da tipografia no fim do século XVIII. A litografia, impressão em superfície plana, que permitiu uma liberdade jamais antes obtida, pelo fato desta permitir que o artesão desenhasse com pincel, pena, régua e até mesmo a mão livre na superfície polida da placa de calcário. As tipografias nouveau e toda sua sinuosidade na forma, por exemplo, só foram possíveis diante desse avanço tecnológico. Desde meados do século 20, a maior parte dos impressos comerciais tem sido feita por meios bidimensionais, como é o caso da impressão offset.
referência bibliográfica: FRUTIGER, Adrian. Sinais e Símbolos: Desenho, Projeto e Significado. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
HORCADES, Carlos M. A Evolução da Escrita: História Ilustrada. Rio de Janeiro: SENAC Rio, 2004.